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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Curso sobre Dostoiévski e Bergman na Editora Intermeios - Casa de Artes e Livros

O escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881)


O cineasta sueco Ingmar Bergman (1918-2007)

Meus amigos,

A Editora Intermeios – Casa de Artes e Livros (link: http://intermeioscultural.com.br/), a partir de março, dará início a um ousado projeto para estimular a reflexão e a produção acadêmicas.

Do curso ao livro: a partir da iniciativa empreendedora dos proprietários Joaquim Antonio Pereira, poeta e editor, e Cecília Almeida Salles, professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC/SP, a idéia é entrelaçar as reflexões e debates gerados pelos cursos temáticos à produção de artigos por parte dos professores e alunos. Ao fim e ao cabo, os artigos compilados consolidarão a trajetória de cada curso por meio de livros a serem publicados pela Editora Intermeios, que assim sintetiza a sua proposta cultural: casa de artes e livros.

Nesse sentido, meus amigos, gostaria de convidar a todos para a primeira iniciativa do projeto em questão, um curso envolvendo o escritor russo Fiódor Dostoiévski e o cineasta sueco Ingmar Bergman:


O niilismo da modernidade pelos prismas de Fiódor Dostoiévski e Ingmar Bergman

Link oficial do curso no site da Intermeios:
http://intermeioscultural.com.br/programacao.php?q=niilismo_modernidade

Professor Flávio Ricardo Vassoler
Doutorando em Teoria Literária e Literatura Comparada pela FFLCH/USP
Link para o currículo do professor:
http://subsolodasmemorias.blogspot.com/2009/08/subsolo-das-memorias.html


Período de realização: de 10 de março a 28 de abril.

Dias e horário das aulas: sempre aos sábados, das 15h às 18h, nos dias 10, 17, 24 e 31 de março e 7, 14, 21 e 28 de abril.

Para mais informações sobre o período de inscrições e o valor do curso, entrar em contato com a Intermeios pelo telefone 2338-8851.

Local de realização:
Editora Intermeios – Casa de Artes e Livros
Rua Luís Murat, 40 – Pinheiros

A rua Luís Murat é uma travessa da Avenida Henrique Schaumann, em Pinheiros, e fica bem próxima à rua Cardeal Arcoverde, da qual é paralela. Está a 5 minutos a pé do Metrô Sumaré (linha Verde).

Antes de apresentar a sinopse propriamente dita, gostaria de enfatizar que, na primeira aula de cada módulo temático do curso, os alunos assistirão na própria Intermeios aos filmes de Bergman que estabelecerão os diálogos com as obras de Dostoiévski.


O niilismo da modernidade pelos prismas de
Fiódor Dostoiévski e Ingmar Bergman


Sinopse do curso

Ao sepultar Deus, a instância suprema a partir da qual emanariam e sobre a qual recairiam os princípios e fins éticos, a modernidade arremessa o ser humano em um turbilhão relativista em meio ao qual tudo o que é sólido desmancha no ar. Pelos prismas do escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881) e do cineasta sueco Ingmar Bergman (1918-2007), analisaremos a ascensão paradoxal do nada como princípio (anti-)ético normativo – eis o Reino de Nihil, o niilismo. Os filmes O sétimo selo (1956) e a trilogia do silêncio – Através de um espelho (1961), Luz de inverno (1962) e O silêncio (1963) – dialogarão com o parricida Ivan Karamázov (Os Irmãos Karamázov), o homicida Raskólnikov (Crime e Castigo), a reencarnação de Cristo, o Príncipe Míchkin (O Idiota), e a encarnação do niilismo, o homem do subsolo (Memórias do Subsolo), de modo a estabelecermos a genealogia do relativismo ético desde o século XIX até os seus desdobramentos pelas diversas esferas existenciais ao longo do trágico século XX.


Módulo 1: Se Deus não existe, tudo é permitido

Aulas 1 e 2 – dias 10 e 17 de março: Discussão entre o filme O sétimo selo e o dilema parricida de Ivan, o Karamázov (Os Irmãos Karamázov). Que significa dizer “se Deus não existe, tudo é permitido”? Em última instância, portanto, seria Deus o bastião da ética? Diante da ausência do Pai, nada mais conteria o hedonismo dos filhos órfãos? Enquanto a simbologia dostoievskiana faz do ateu Ivan o mentor intelectual do assassinato de Fiódor Pávlovitch, seu pai, o nobre cruzado de Bergman procura ludibriar a Morte – Deus se confunde com o silêncio – até que o xeque-mate sentencie a colagem do sétimo selo.


Módulo 2: Memórias do subsolo através de um espelho

Aulas 3 e 4 – dias 24 e 31 de março: Discussão entre o filme Através de um espelho e o dilema homicida de Ródion Românovitch, também conhecido como Raskólnikov (Crime e Castigo). Se Deus não existe e tudo é permitido, os homens extraordinários precisam assumir o seu quinhão e espraiar a dominação irrestrita – quiçá para o bem da humanidade. Sendo assim, o super-homem Raskólnikov cinde a têmpora da usurária Amália Ivânovna, o arquétipo do piolho ordinário, como prova cabal para verificar se pode ascender à indiferença ética própria a um Napoleão. Enquanto isso, em algum lugar da Suécia de Bergman que sempre nos parece contígua, um escritor-discípulo de Raskólnikov assiste impassível a uma derradeira fonte de inspiração: o colapso mental da própria filha.


Módulo 3: A opaca luz de inverno acalenta o niilismo

Aulas 5 e 6 – dias 7 e 14 de abril: Discussão entre o filme Luz de Inverno e o dilema autofágico daquele que se concebe como o paradoxalista do subsolo (Memórias do Subsolo). O pastor Tomas Ericsson – filho distante do sensualista Tomé, para quem crer significa ver – celebra o culto já sem o prazer de sorver o vinho. Antes de sua experiência devastadora em meio à guerra civil espanhola, Deus lhe aparecia como o princípio único, ideal e orgânico de todas as coisas. Mas seria possível adorar o Senhor quando corpos mutilados só querem o encontro com o sétimo selo? Crescei e multiplicai-vos: antes o pão, agora as ogivas. Tomas Ericsson aproxima-se de São Judas Iscariotes: Deus transforma-se em um deus-eco, um porto seguro – e sempre silencioso – onde a angústia seria calada; um deus-aranha em cuja teia o relativismo tenderia a ser imobilizado. “Será?” – o homem do subsolo prontamente irrompe e o interrompe. Por que aceitar Deus como um muro derradeiro diante do qual devemos nos aquietar? “Em meu subsolo”, prosseguiria o paradoxalista dostoievskiano, “apenas o nada me faz companhia”. Poderia a consciência conviver de forma tão incestuosa com a potencial diluição de si mesma?


Módulo 4: O silêncio do diálogo
A beleza salvará o mundo! (Príncipe Míchkin)
O mundo salvará a beleza? (Ivan Karamázov)

Aulas 7 e 8 – dias 21 e 28 de abril: Discussão entre o filme O Silêncio e a quimera trágico-cristã do Príncipe Míchkin (O Idiota). Poderia alguém viver concretamente a máxima “ame ao próximo como a ti mesmo” nos dias de hoje? (Ivan Karamázov prontamente se insinua: (1) A história humana, em algum momento, já teria sido palco do amor mútuo? (2) Cristo e seu sadismo refinado: somos coagidos ao amor, daí a coerência do “ide e pregai-vos” – na cruz.) Pois o Príncipe Míchkin pretende dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus: Rogójin, o Judas assassino de Nastácia Filíppovna, recebe o consolo cristão de Míchkin. Mero detalhe o fato de a bela Nastácia ser a bem amada do Príncipe. Não à toa a consciência de Míchkin encontra na idiotia, na loucura, a síntese para o entrechoque dialético de tais polos irreconciliáveis – a piedade cristã e a vingança mundana. Ora, O Silêncio de Bergman corrói os laços fraternos. Em meio à Guerra Hitlerista, uma criança tem o privilégio alquebrado de contrastar seu tanque em miniatura com o blindado nada silencioso a rasgar as ruas. Enquanto isso, a mãe se prostitui gratuitamente embriagada pelo mesmo prazer do suicida prédio abaixo: “16º andar, 15º andar: até aqui vai tudo bem, até aqui vai tudo bem; 6º andar, 5º andar: até aqui vai tudo bem, até aqui vai tudo bem”. Mas não, “a beleza salvará o mundo!” – brada o Príncipe Míchkin das profundezas de sua masmorra insana. Rasgado por um sorriso de soslaio, Ivan, o Karamázov, sintetiza a nossa tragédia: “mas, por um mero acaso, o mundo salvará a beleza, meu caro?”

Conto com a presença de todos vocês!

Um abraço,

Flávio Ricardo Vassoler

4 comentários:

  1. Eba, que legal que tá rolando \o/

    Vou avisar os amigos. Pena que tenho poucos sábados disponíveis, mas posso ir um dia espiar um pouco, posso? =D

    bjos!

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  2. Oi, querida!

    Se for possível, seria legal você participar do curso todo e também escrever um artigo para o livro que será publicado ao fim da jornada.

    Então, querida, muito obrigado pela divulgação entre os seus amigos, Franzinha, e eu espero você lá na Intermeios, dia 10 de março.

    Um beijão,

    Flá

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  3. Fantástico, meu caro. Parabéns.
    Um abraço.
    http://esconderijo-do-observador.blogspot.com/

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  4. Caro Flávio Ricardo,
    Conheço a editora Intermeios e gosto muito da proposta da Casa.
    Sucesso para vc e para o curso: Dostoiévski e Bergman é bárbaro.
    Aos sábados dou aulas de pós na Anhembi.
    Envio-lhe um artigo meu.
    Espero que goste.
    Abraço fraterno,
    Raquel Naveira
    PS: Fui assaltada por um casal de mendigos na saída da UBE. Quebrei o pulso. Fiz uma cirurgia. Estou em repouso.
    E bem ao gosto polifônico de Dostoiévski, sinto compaixão por vítimas e algozes.

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