Antes de içar a lâmina, o algoz suplica ao condenado: "Você me perdoa?"

I want you for U.S. Army

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Cracóvia II

Meus amigos,

Há um mês, o Subsolo das Memórias começou a percorrer as galerias polonesas de Varsóvia e Cracóvia que, ao fim e ao cabo, nos levarão a Auschwitz.

Aqui está o link para revisitarmos Varsóvia e Cracóvia I:
http://subsolodasmemorias.blogspot.com/2012/01/varsovia-e-cracovia-i.html

Esta semana, continuaremos a percorrer os belos interstícios de


Cracóvia II


HQ


As seções polonesas da SS e da Gestapo saúdam a Polícia Militar de São Paulo pela atuação eugênica no bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos


Subsolo das Memórias


Uma irmã distante da Rua Barão de Itapetininga, nas cercanias do nosso ilhado Teatro Municipal cá em Sampa


Bem-vindos ao Leste Europeu


Com a condição de que você corte esta franja, meu bem...


Tataraneta de Eva
1235ª esposa de Mefistófeles


Oscar de atriz coadjuvante em Matrix


O desejo e suas tristes mediações


A morena em questão sussurra que Nelson Rodrigues costurou seu "Vestido de Noiva" em Cracóvia


Desejo em fila indiana


Impassível


A poesia do hímen


No banco dos réus, a Santa Sé poderia de fato e de direito arrolar o belo como atenuante
(O Sumo Inquisidor compilaria as fotos sacras)


A mão precocemente madura sentencia o rosto ainda tenro ao jugo do tempo


Mandamento do lábio intumescido:
"Mordisquem-me agora!"


Paleta


Cracóvia reedita o Evangelho:
o rei Herodes segura o Messias pequenino antes de lhe rasgar a garganta


Até hoje não se sabe se a suntuosidade arquitetônica da Igreja tinha a intenção de catequizar os olhos para o céu ou fazer com que a pequenez do espectador aceitasse o poder mundano do Papa
Por via das dúvidas, o aforismo de Cristo apazigua o conflito ao prolongar a dúvida:
"Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus"


Encouraçado


Minha nuca se ajoelha


Transição cromática


Dedo em riste para o céu


Em sua ambigüidade estrutural, a ironia serve tanto ao servo quanto ao senhor
Por mais que procure deformar o status quo, não é possível esquecer que o irônico sorriso de soslaio tem o bobo da corte como artífice...


Conto gótico


Encouraçado


Paleta


A beleza de Cracóvia desafia o aforismo de Yves Lacoste:
"A arquitetura serve, antes de mais nada, para fazer a guerra"


Sentinela nua


Vamos?


Elegância mediada por 247 zlotys


E ainda ousam acusar os geômetras de abstração!
"Mas onde estão seus triângulos equiláteros?
Quando foi que a natureza concebeu seus quadriláteros ideais?"
Eis a resposta de Cracóvia


A franja como a última barricada contra o desejo


QG das cruzadas


Penumbra medieval


Costas abauladas


"Do Contrato Social"
(Prefácio do Dr. Fausto)


Aqui, no século XV, os cruzados repunham as energias antes de empalar os infiéis


Gargântula


Dizem as boas línguas que Johann Wolfgang, também conhecido como Goethe, esteve reiteradas vezes em Cracóvia para compor sua obra magna


Enviemos Mefistófeles para um estágio em terras paulistanas antes que o diabólico investidor se aventure pelo ramo pizzaiolo


Goethe pagará a conta, não nos preocupemos


Contradição - em termos: dizem as boas línguas que a aristocracia também pode ser austera


Parado em local proibitivamente permissivo, o taxista me oferece uma carona de volta para Varsóvia por módicos 875 zlotys


General Inverno


Where the rainbow ends


Da aristocracia para a burguesia que, antes da explosão da sociedade de massas, ainda precisava do atavismo do belo para viabilizar seus armazéns de secos e molhados


Nunca um joelho foi tão fálico


Cracóvia ecumênica


Encontro dialético:
Maio e anti-maio de 68
Tese: É proibido proibir
Antítese: Negação da negação
"Ora, e quanto à síntese?"
(A História nos avisa que a síntese ainda está desempregada)


Cracóvia nos convida para o...


... prenúncio do tenor em dois atos


Restaurante "Arca de Noé"
Conheçam nosso frio Jardim de Verão (sic do General Inverno)


O polonês e o discurso da servidão voluntária, ou pior, compulsória:
PIWO, parente com menor teor alcóolico da cerveja russa, PIVO
Abaixo: o exército perfilado do Leste Europeu


Anfitriã nua


Coleta seletiva - e enregelada


Há quem olhe para esta Muralha e veja o esplendor do todo imemorialmente constituído
Não se pode deixar de apreendê-lo
Meu olhar tenta capturar, no entanto, o silêncio prostrado e imemorialmente abstraído daqueles que empilharam os tijolos sob o açoite do General Inverno
Como reconhecimento medieval, seus ataúdes são as fundações da muralha aristocrática ao redor da qual os moradores dos burgos viviam e contra a qual, dentro de alguns séculos, os burgueses viriam a se indispor


Com um General Inverno de -35ºC, as casas geminadas lembram aos burgueses supostamente auto-suficientes que é preciso caminhar pelos escombros chamuscados do calor humano


Por vezes, a estória encontra seu leitor ideal


Olhar penso por sobre os ombros


Seria difícil descobrir onde o antigo Estado Satélite de Stálin na Polônia construiu seus edifícios funcionais?


Blasé


Solidão pálida


Degelo


E/ou


Quem não se lembra do Piu-Piu?
(Agora entendemos a persistência do Frajola, não?)


A aristocracia em seus estertores: a sacada nobre prenuncia o palanque da futura sociedade de massas


Que soem as Trombetas de Jericó, here we have an important announcement to be made:


Do come, otherwise...


A maquiagem e o entorno mimético


O espasmo que prenuncia a revelação


O silêncio que prenuncia a oração


Após nos depararmos com o irmão de Narciso abaixo retratado, talvez possamos dizer que a História foi muito dura com o pai da vaidade. Senão, vejamos: Narciso não se enclausura em si mesmo lançando mão do toque solitário; em verdade, em verdade o mito nos diz que Narciso vê sua imagem refletida e por ela se apaixona. Ora, ou muito nos enganamos ou a imagem especular já é um outro para Narciso, ainda que ela seja projetada desde o eu.
A vaidade de Narciso pressupõe o homem como animal social para que a beleza seja eleita a partir de uma comparação e de um cotejamento com um outro, ainda que o polo de distinção esteja fixado no eu.
Quando Narciso se considera ainda mais belo refletido por um espelho suntuoso, a História desvela as contradições sociais que ainda não puderam ser dirimidas: a beleza de Narciso pisa sobre os dorsos vergados dos sujeitos abstraídos que, com a mediação do trabalho socialmente usurpado, viabilizaram o belo para que Narciso individualizasse o belo que só a divisão do trabalho pôde erigir


A mão que balança o berço


Prolegômenos para todo o suicídio futuro


É difícil ficar "de olhos bem fechados", Mrs. Kidman


Será que ela sabe quem quer?


Pela Europa toda, sobretudo por influência turca, o (Dönner) Kebab,
um enrolado com carne de carneiro, repolho, cenoura, tomate e o que mais Deus permitir
(Não sei por que houve forte oposição ao Kebab por parte do Partido Verde Nacional, mas há uma estreita correlação entre a ausência de latidos e miados poloneses no verão e o aumento do consumo de Kebab)


Quando algo é permitido, já não se sabe o que fazer, ainda que todos os caminhos levem a Roma


Liberdade condicional


Picasso polonês


Soslaio

Cracóvia nos lega a crítica da razão cínica. Senão, vejamos:
apenas Cristo tem as mãos transpassadas por pregos; os irmãos de Judas e Barrabás estão amarrados às suas respectivas cruzes


O resquício da franja como a última mediação para o desejo


Prefiro a charrete


Meus amigos, preparem-se.
Quando o Subsolo das Memórias for a Moscou , reencontraremos a beleza eslava corporificada pelas russas


A plenos pulmões


!


Cracóvia ecumênica

P.S.: A partir da semana que vem, voltaremos a encontrar Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski, dessa vez com um amigo inusitado, o cineasta sueco Ingmar Bergman. Aguardem.

14 comentários:

  1. Que belas mulheres! Por que sua implicância com as franjas?

    Dentre os fragmentos casados às imagens, há um interessante sobre a beleza:

    "A vaidade de Narciso pressupõe o homem como animal social para que a beleza seja eleita a partir de uma comparação e de um cotejamento com um outro, ainda que o polo de distinção esteja fixado no eu.
    Quando Narciso se considera ainda mais belo refletido por um espelho suntuoso, a História desvela as contradições sociais que ainda não puderam ser dirimidas: a beleza de Narciso pisa sobre os dorsos vergados dos sujeitos abstraídos que, com a mediação do trabalho socialmente usurpado, viabilizaram o belo para que Narciso individualizasse o belo que só a divisão do trabalho pôde erigir".

    Fiquei matutando: e se Narciso vivesse numa ilha sem jamais ter visto uma imagem humana? Um dia se depararia com o espelho e ficaria assombrado com a própria imagem. Aí o mito seria outro: Narciso foi o homem que ficou paralisado de susto ao ver a própria imagem.

    Ora, se os marcianos invadissem a Terra e vissem as belas mulheres européias, exclamariam instintivamente:

    - Que horror!

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  2. Fala, Luciano! Tudo bom, velho?

    Então, o lance do Narciso, a meu ver, nos traz a percepção de uma protoforma burguesa bem antes de a sociedade ocidental ter sido estruturada pelo capitalismo.

    Tradicionalmente, Narciso é tido como o egotista por excelência. Como, via de regra, prefiro leituras intersticiais e menos chanceladas, procurei dizer que toda aquela estruturação egóica da consciência de si pressupõe a abstração de um outro que simplesmente não pode ser tido como belo; um outro que empresta o dorso vergado para que o espelho suntuoso possa alcançar a altura de Narciso. A imagem do pai da vaidade já seria um outro para ele mesmo não apenas por razões de ontologia filosófica - falo da própria ontologia social.

    Como você bem notou, Luciano, o parâmetro de socialização constrói a recepção da própria imagem.

    Só fiquei encafifado com os marcianos, Luciano. (Supostamente, haveria uma lei de conversão biológica que traria uma aproximação entre o desenvolvimento das diferentes espécies em diferentes lugares, e não uma divergência crônica como sempre quiseram Hollywood e Steven Spielberg.) Portanto, me parece que os marcianos se esbaldariam no Leste Europeu, meu velho, mas logo sentiriam uma falta instintiva da latinidade que é bem mais intensa :-)

    Grande abraço, Luciano,

    Flávio Ricardo

    P.S.: Nada contra as franjas, meu velho, a não ser o fato de que elas contrapõem as últimas barricadas contra a nudez. (No caso das polonesas, trata-se de uma transgressão imperdoável, não? ;-)

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  3. Flávio,

    Eu também não curto os filmes hollywoodianos, sobretudo os épicos e extraterrenos. Os marcianos constituem, na minha explanação, mera alegoria para falar de alteridade e estranhamento - poderia ser usada qualquer outra sociedade, real ou imaginária, com outros padrões morais e referenciais simbólicos (Hollywood, ao contrário, constrói diferentes sociedades no tempo e espaço com estruturas cognitivas e culturais similares ao mundo ocidental contemporâneo).

    Minha intenção era dizer que o feio reside no diferente. O belo nos aparece como algo naturalizado; somente o olhar de estranhamento é capaz de desmascará-lo e encará-lo como uma criação social.

    Sua postagem mostra as lindas moças do Leste Europeu, mas também permite refletir profundamente sobre padrões de beleza: não é possível existir a auto-contemplação do belo sem o assujeitamento do feio. Enquanto os autoadmirados narcisos são admirados em eventos empresariais, realitys shows e telenovelas, os feios apanham nas cracolândias e pinheirinhos.

    Já pensou que destino terão os belos quando os feios perceberem que não são feios?

    Grande abraço.

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  4. Fala, Luciano!

    Então, velho, me parece que você tá apostando muitas fichas no caráter emancipatório daqueles que são oprimidos.

    "Que destino terão os belos quando os feios perceberem que não são feios?"

    A despolitização e a individualização em meio à guerra de todos contra todos que nosso capitalismo (periférico) traz te perguntaria o seguinte, Luciano:

    Que destino querem os feios que já não se percebem como feios senão a vontade de serem como os belos?

    Já leu "O discurso da servidão voluntária", Luciano, do La Boétie?

    O ímpeto revolucionário simplesmente não quer lidar com o fardo histórico do atavismo. As transformações economicamente estruturais, processualmente demoradas, ainda assim ocorrem com um ritmo muito mais rápido do que a conformação ideológica. Neste momento, noções seculares e antagônicas como "honra" e "hedonismo" convivem de modo concomitante e nem ao menos nos damos conta, em nossa atuação pragmática, do sincretismo histórico que ambas envolvem.

    Não me tomaria como um pessimista, Luciano, e me incomoda sobremaneira a postura resignada. Agora, também me deixa encafifado a aposta idílica.

    Se realmente quisermos atuar como advogados do diabo, poderemos perguntar o seguinte: a infantaria do PCC quer alguma mudança, Luciano? Muitos deles já chegaram a ler Marx e Lukács. De que forma de civilização estamos falando?

    Se você ainda não assistiu ao filme "Manderlay", de Lars Von Trier, te indicaria fortemente. Uma reformista (branca) tenta incutir a liberdade em meio aos escravos recém-libertos do sul dos EUA. É curioso perceber que a democracia ali implementada precisa da força das armas para não ser transgredida de maneira regressiva - muitos escravos sentem saudade do antigo senhor/feitor. Num determinado momento, a multidão tornada livre do dia para a noite lança mão da prerrogativa democrática para condenar um ex-escravo/colega infrator à pena de morte.

    "Que destino terão os belos quando os feios perceberem que não são feios?"

    Qual a resposta que a História nos trouxe até agora, Luciano?

    A lógica de Talião - muitas vezes, o olho por olho, dente por dente vinga-se sobre o vizinho, o mais próximo, aquele que é culpado de ser feio como eu. Um sistema de projeção do rancor (legítimo!) não contra a elite ou contra a estrutura excludente, mas contra aquele que se parece comigo, contra aquele que também é espoliado - ou pior, diz a ideologia: contra aquele que se deixa espoliar, porque é culpado de ser tão impotente quanto eu. Em minha revolta contra o meu igual-feio, quando o espanco, me sinto potente, pois realizo aquilo que a sociedade esperaria que eu fizesse de qualquer maneira; cuspo sobre quem já é escarrado.

    Fico curioso para saber o que você teria a dizer, Luciano.

    Grande abraço,

    Flávio Ricardo

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  5. Flávio,
    Na verdade, não sou tão otimista quanto lhe parece. Quando formulei a questão, já imaginava que, se isso acontesse, seria mais provável a repetição de um cenário de horror, em que os belos são guilhotinados ou enforcados, a exemplo das Revoluções Francesa e Russa, do que a edificação do paraíso na terra.

    Não ignoro que os assujeitados estão física e mentalmente condicionados à condição de assujeitamento. Tampouco ignoro que há relações de opressão entre os iguais nas mais diferentes esferas de sociabilidade cotidiana. Eu mesmo senti na pele o estigma da feiura, o deboche e o isolamento. Em compensação, a minha solidão se tornou minha amiga: me deu a percepção de que, se eu crescesse enturmado e cheio de amiguinhos, me tornaria mais um opressor a rir das desgraças alheias e rotular de feio os gordos, gagos, gays e todos aqueles que são diferentes.

    Porém, embora eu me incomode com o otimismo exagerado em relação ao futuro da humanidade, o conformismo também me pertuba. As suas interessantíssimas colocações podem levar, entre outras, à seguinte conclusão: "O mundo é, foi e sempre será assim" ou "Deus quis assim".

    Tem hora que eu admiro tanto àqueles que se mobilizam para transformar o mundo como aqueles que fazem uma leitura crítica do mundo. Mas, em outros momentos, me incomodo tanto o ativismo irrefletido como o intelectualismo imobilista.

    Mais uma vez, valeu pelas ótimas colocações.

    Grande Abraço.

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  6. Fala, Luciano!

    Pude perceber que, efetivamente, você levou a exposição das belíssimas eslavas para um entrechoque pessoal, como tende a demonstrar a colocação autobiográfica que você fez no último comentário. Não vou dizer que não considero belíssimas as polonesas apresentadas, seria uma grande hipocrisia da minha parte. Mas agora posso entender que essa exposição desencadeou a recorrência de um sentimento que você, com bastante coragem, traz à tona.

    Mas, bom, como os nossos diálogos são sempre bem frutíferos, gostaria de prolongar a discussão com mais questionamentos - vistamos ainda uma vez o terno do advogado do diabo :-)

    Luciano, meu velho, receio que ainda haja otimismo em suas colocações. Senão, vejamos: a História não nos mostra de todo que os antigos "belos" foram decapitados ou fuzilados, não. Ou melhor, talvez seus corpos tenham sido assim sentenciados, é bem verdade, mas o ethos a que os revolucionários aspiravam não me parece tão radicalmente diferente, não.

    Ou será que os burgueses da Revolução Francesa não se emperequetavam de modo aristocrático para falar, falar e falar diante da Assembléia Nacional?

    Ou Stálin não se gabou do IMPÉRIO soviético após o fim da Segunda Guerra Mundial?

    Certa vez li uma entrevista do ótimo Mano Brown, do Racionais. Me lembro de que ficou marcada para mim uma colocação bastante c-o-n-t-e-s-t-a-d-o-r-a: Mano dizia que o problema brasileiro referia-se menos aos valores e ao ímpeto (i.e., à ideologia) e mais à distribuição de renda. Algo que Lênin já dissera muitas décadas antes: derrubemos a burguesia, mas permaneçamos com seus princípios.

    Ver Mano envolto por grossas correntes de prata e desvelar os burocratas de alto escalão da finada URSS com fartas mordomias não parecem uma excrescência, então. E aqui não se trata de dizer que uma transformação radical da sociedade implicaria um miserabilismo geral, não.

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  7. Me parece justamente que a transvaloração dos valores, vale dizer, a instauração de novas disposições subjetivas apresenta um grau de atavismo bem distinto da aceleração ou resistência das transformações estruturais. Podemos gritar, podemos bater os pés, pode ainda haver choro e ranger de dentes, mas essa é uma lição que a História nos traz.

    Aliás, Luciano, me parece sobremaneira importante que prestemos atenção a essa lição histórica. O século XX nos mostrou que a tomada do poder não implica a reestruturação do cotidiano. Há um livro muito interessante sobre a "Psicologia de massas do fascismo", do Wilhelm Reich. Enquanto o marxismo sectário dos partidos desprezava o suposto detalhe em suas considerações macroestruturais, o nazismo consciente e/ou inconscientemente se dava conta de que o desejo do "proletas" de ter um novo apartamento, casar com uma baita festança, transar com a mulher mais desejada e odiar O OUTRO suplantava a consciência de classe na qual os profetas da revolução sempre apostaram. Sabemos quem ascendeu ao poder em 1933 - quando Hitler deu um golpe de Estado, em 1923, foi preso; dez anos depois o povo alemão conduziu o NSDAP ao Reichstag.

    Assim, Luciano, não me parece de modo algum ilegítimo o rancor pela imposição do belo. O que me parece é que estatuir a alteridade como se ela já possuísse reconhecimento global acaba por escamotear a necessidade de transformação social efetiva. Como sei que você não se filia aos pós-modernos para clamar pelo outro; como sei que você discute criticamente a lógica da identidade unívoca que lança mão do outro como mais um sujeito-para-o-consumo - as próprias telenovelas da Globo já falam do respeito ao outro, então precisaríamos pensar sobre o grau de subsunção da alteridade ao idêntico, Luciano; como sei desses aspectos, creio que é vital refletirmos sobre tudo isso.

    Hoje mesmo estava discutindo esses pontos com um colega que estuda questões parecidas, Luciano. Os polos que você sublinhou me parecem alcançar os extremos: de um lado o intelectualismo inerte, de outro o ativismo irrefletido. Mas, Luciano, tais categorias estanques não dão conta nem da indignação subjetiva e nem do bloqueio objetivo.

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  8. Trazer mensagens de esperança, mensagens gratuitas, é algo que a Visa, parceira/concorrente da Mastercard, meu velho, já faz há algum tempo: "porque a vida é agora". Dizer que a sociedade é assim, que ela não muda, que Deus assim o quis, bom, isso aparece como segunda natureza na História.

    Há quem apenas queira pensar a favor de si mesmo. Esse tipo me parece não apenas obsedado, mas cego. O pior cego não é aquele que não quer ver. Não: o pior cego é aquele que só quer ver :-)

    Ter uma postura de esperança, extrair uma resistência da vida é algo que se assemelha a um claustrofóbico corredor polonês. E eu vejo muita amargura e ressentimento naqueles que têm uma teologia da esperança - mas que não a podem viver efetivamente. E aí vem a questão, Luciano: ao invés de tomarmos a rédea do desenvolvimento social em nossas mãos, somos arremessados nesse torvelinho competitivo e autofágico para que, de forma cada vez mais contingente, tentemos buscar aquilo que queremos - se é que sabemos o que queremos.

    Não será chocando os pés contra o chão que a realidade embrutecida será transformada.

    Mas a noção do imobilismo intelectual traz nuances que muitas vezes ficam acinzentadas. Vamos a um exemplo histórico: sei que você é um leitor de Kafka, Luciano. Pois o escritor tcheco já foi muitas vezes acusado pela esquerda revolucionária de agente da reação. (Lukács, por exemplo.) E daí é interessante cotejar essa percepção do Lukács com a leitura do Adorno. Enquanto Lukács entrevia na claustrofobia de Kafka um "imobilismo" que não aceitava a patente transformação revolucionária que estava em curso, Adorno procurou dizer que Kafka, ao persistir pelo NEGATIVO, conseguiu enformar conflitos humanos - i.e., históricos - que ainda não haviam sido dirimidos, para os quais ainda não havia sido encontrada uma síntese, a emancipação.

    Lukács quase foi fuzilado por suas idas e vindas em relação à linha editorial do partido. Adorno, muitas vezes, recebeu a mesma alcunha de "imobilismo intelectual" a que você se referiu. Mas quando cotejamos o vigor de ambas as obras, ponderamos o preço da submissão a uma linha reificada de pensamento. O intelectual efusivo se aproxima bastante do ativista cego.

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  9. Que o contexto reificado atual apresente um bloqueio para transformações mais profundas, bom, isso é admitido até mesmo pelos marxistas partidários que ainda rezam as cartilhas sacrossantas. No entanto, que tal véu imediato não encubra as contradições modernas e atávicas com as quais o pensamento crítico precisa e quer lidar.

    Aceito a sua colocação: o olhar sobre e para o atavismo pode conduzir à inércia. Mas há duas inércias envolvidas - inércias supostamente polares, mas a História já mostrou que as paralelas se cruzam em momentos de ruptura: a inércia de quem diz "c'est la vie" e a inércia de quem diz "ce n'est pas la vie". A inércia de quem só age, a inércia de quem só reflete.

    Mas, nesses polos esquemáticos, Luciano, onde fica a vocação?

    E mais: você trouxe um lado importante - e autobiográfico - para a diferença. Mas você nunca se viu corroborando as estruturas de exclusão? E, se o fez, foi apenas um automatismo facilmente descartável?

    O Subsolo das Memórias, como o nome intertextual procura sugerir e como você bem sabe, não pretende trazer à tona o que é agradável - e palatável. No outro comentário, você sobrepôs à "psicopatologia da vida cotidiana" de Sabato uma "psicopatologia" bem brasileira. E, claro, não deixei de perceber o tom irônico, Luciano. Naquela ocasião, o ato abnegado e belíssimo das duas mulheres consideradas loucas, de certo modo, despertou a sua indignação contra o belo - um outro belo, não o belo das polonesas, mas um belo que não sintetiza nada politicamente, que simplesmente ocorre, que dá sobrevida à esperança, ainda que seja estéril como projeto total; daí você me enviou a psicopatologia brasileira do gordinho - e agora nós dois sabemos, pela sua coragem, quem era aquele gordinho de fato, não é mesmo?

    E eis que nesse comentário você se insurge contra a visão para e sobre o atavismo, uma visão que, contraditoriamente, disseca o supostamente imóvel - mas, se fosse efetivamente imóvel, por que dissecá-lo? Eis uma leitura de Adorno sobre Kafka: se o tcheco realmente concordasse com a opressão, por que retratá-la, por que trazê-la à tona? Por sadismo? Talvez. Mas não só.

    Aquilo que te fez repelir o belo anteriormente para voltar os olhos para o "feio" cotidiano agora te parece resignado, Luciano.

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  10. Estamos ou não estamos diante de uma verdadeira contradição?

    Na verdade, uma contradição que ainda não apresentou solução histórica.

    O belo enformado por Sabato te parece intangível. (Veja a brutalidade a que a derrocada do projeto revolucinário nos submete; buscamos migalhas...). Daí você volta seus olhos para o horror brasileiro. Mas, bom, quando as polonesas são apresentadas - lembremos, só de passagem, que eu estava na Polônia; sendo assim, teria dificuldade em fotografar tchetchenas por lá, não é mesmo? -, daí o belo te parece totalmente identitário e traz a recorrência do sempre igual que te oprimiu e te oprime. Então você clama pela lógica do diferente que, salvo engano, parece cada vez mais igual ao seu senhor secular. (Ou não há produtos de beleza para as mais diversas etnias?) Roberto Justus, ainda que a contragosto, bem poderia dizer: "Para que brigarmos? Fique onde você está, não se preocupe, não quero que você chegue perto de mim, apenas quero ganhar dinheiro com você".

    Mais uma vez, Luciano, fico curioso para ler o que você tem a dizer.

    Um abraço,

    Flávio Ricardo

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  11. Luciano Costa Azevedosexta-feira, 10 fevereiro, 2012

    Olá Flávio!

    Na verdade, não se trata de ser contra o belo. Talvez a forma como eu me expressei tenha dado a entender isso. O ponto de partida não foram as belas polonesas, mas sim Narciso.

    Minha intenção não é repelir o belo, mas questionar como o belo é concebido (a questão dos padrões, a supervalorização das aparências, etc.).

    Sim, concordo que as revoluções muitas vezes executam os belos mas conserva seus valores. Você observou o lapso meu: o belo não se restringe às aparências. Há um ethos.

    Para inúmeros jovens, é mais belo encostar uma arma na cabeça de alguém do que ajudar a velhinha a atravessar a rua: é considerado um ato de ousadia, coragem. Afinal, piedade seria para os fracos, então soca-se o próprio peito e grita: - Eu sou um guerreiro, sou forte e afirmo minha força ao socar a cara do outro; quanto mais piso no filho da puta, mais poderoso fico!

    Os nazistas morreram e seus símbo los foram banidos. Mas, seus valores, a essência do nazismo e os significados perduram até os dias de hoje. De que adianta eu xingar os nazistas se eu penso e ajo como um nazista?

    Ao ler sua resposta me deparei com um trecho: "estatuir a alteridade como se ela já possuísse reconhecimento global acaba por escamotear a necessidade de transformação social efetiva". Li, reli...e caiu a ficha!

    Acho que entendi. Se antes os movimentos em prol de revoluções ignoravam as relações de opressão entre os iguais, hoje os movimentos em favor da afirmação das diferenças descartam a universalidade. Aqueles uniam contra um inimigo comum; estes fragmentam em torno de um inimigo disperso. A faceta progressista destes movimentos tem uma essência conservadora: "a nós basta o reconhecimento de nossos direitos; não é necessário a transformação da estrutura sócio-econômica".

    Há setores do movimento ambientalista satisfeitos com a abolição das sacolas plásticas de supermercados (como se estas, e não o constante desenvolvimento e criação de novas necessidades de consumo, fossem as vilãs responsáveis pelos lixões).

    Histórias, como a que segue, podem ocorrer no cotidiano. Um dia, um homem negro entrou num restaurante. Viu o restaurante lotado e só um garçom atendendo. Sentiu desprezo e lamentou consigo mesmo: "vai demorar, só tem aquele viado pra me atender". O garçom, por sua vez, olhou com desdém o cliente que entrara no restaurante. Passado algum tempo, o cliente sentiu o descaso e a demora, até que num determinado momento discutiu com o atendente, reclamou com o gerente, etc. e tal. Depois de ir embora, o cliente, afrodescente assumido, saiu do restaurante indignado: - Vou processar este restaurante por racismo! O garçom, homossexual assumido, sentia indignação pelas ofensas sofridas: - Vou denunciá-lo por homofobia! Ambos tem algo em comum em seu passado pessoal: o feio percebeu que não era feio. Cada um por si em suas diferenças.

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  12. Luciano Costa Azevedosexta-feira, 10 fevereiro, 2012

    Minha identificação com meu igual-diferente não significa necessariamente solidariedade com o outro. E quando há solidariedade - por exemplo, a união do movimento gay com movimento feminista - a lógica identitária destes movimentos conduz à lógica do cada um por si em suas diferenças.

    As telenovelas da Globo são interessantes para análise. A telenovela é o espaço de difusão do ethos burguês, cuja estrutura narrativa tem como personagens centrais os ricaços e como coadjuvantes os subalternos. E, paralelamente, lança mensagens de respeito às diferenças: "respeitemos os deficientes, os gordos, os gays e, até mesmo, os empregados, cujo trabalho de servir é realizado com amor e competência". A telespectadora, negra, pobre, solteira e responsável pelo sustento dos filhos, sente empatia pela personagem branca e rica - empatia com a alteridade, identificação com o outro. (Aliás, a telenovela das oito [que começa às nove] tem audiência estratosférica - como falar em transformações efetivas se as pessoas, após um dia exaustivo de trabalho, preferem sentar em seus sofás?)

    "Clamemos pelo respeito às diferenças e ignoremos as contradições". Por que tais movimentos se interessariam por movimento revolucionário, se deficientes, idosos, homossexuais, mulheres e gordos existem tanto no grupos detentores de dinheiro como nos grupos despossuídos? Aliás, quem pode financiar os movimentos: o travesti pobre da favela ou o empresário homossexual morador de Higienópolis?

    Não é incomum, claro, que haja membros com discurso revolucionário nos movimentos negro e torcidas organizadas. Mas estes constituem segmentos minoritários e sua proposta de revolução se restringe ao leninismo (tema que você problematizou anteriormente).

    Estamos num beco sem saída? Por um lado, vivemos numa sociedade em que o diferente é hu milhado e excluído. Por outro lado, o clamor pela lógica do diferente reproduz a violenta estrutura social.

    Flávio, quando eu falei dos preconceitos, estava me esforçando pra te mostrar um abismo. Agora percebi que você não estava ignorando o abismo, mas, antes, estava querendo me mostrar que o abismo é muito mais imenso.

    Eu tinha demonstrado inquietação sobre o otimismo e conformismo. Ser otimista é alimentar ilusões. Por outro lado, devemos nos conformar com o mundo tal como ele é? Talvez seja uma falsa questão. Se um intelectual não concorda com a opressão, talvez possamos afirmar que ele está, sim, inconformado com a situação. Uma passagem do seu texto nos diz: "Se o tcheco (Kafka) realmente concordasse com a opressão, por que retratá-la, por que trazê-la à tona?"

    Quando falei do imobilismo intelectual, pensei nas discussões estéreis, nas intrigas intelectuais em mesa de bar, nos cafés-filosóficos com gente tr ajando blazer e óculos com armação colorida... Depois eu fiquei ponderando: o isolamento contribuiu para formação de intelectuais de grande porte - caso de Adorno, um dos principais críticos da sociedade moderna. Que importa se Adorno algum dia já gritou com a sua empregada ou fechou o vidro de seu carro para uma criança de rua? Se ele fez isso, qualquer um de nós podíamos ter feito no lugar dele. O importante é a obra que ele nos deixou.

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  13. Luciano Costa Azevedosexta-feira, 10 fevereiro, 2012

    Outro trecho que não poderia deixar de citar: "eu vejo muita amargura e ressentimento naqueles que têm uma teologia da esperança". Interessante. Muitos direitistas da atualidade foram esquerdistas no passado. Ou foram ativistas cegos frustados ou foram intelectuais militantes frustados (que abandonaram Marx e aderiram ao pensamento conservador).

    Aguardo ansioso as suas críticas.

    P.S.: você me disse que "o ato abnegado e belíssimo das duas mulheres consideradas loucas, de certo modo, desperto u a sua indignação contra o belo" e que "o belo enformado por Sabato te parece intangível". Estas considerações estão equivocadas. Mas, a culpa não é sua, mas minha: a minha leitura equivocada de Sabato te conduziu a estes julgamentos equivocados. Se eu já leio textos em português com dificuldade, imagine em espanhol?
    Na minha primeira a leitura, ao abrir meus e-mails, não compreendi a história da mulher do trem. Depois li a história da chinesa (este mais compreensível). Vi o título - Psicopatologia da vida cotidiana - e conclui apressadamente: deve falar de distúrbios típicos do mundo moderno. Lembrei que eu tinha um texto do ótimo Rubem Alves que há tempos gostaria de te mostrar (e que também fala das loucuras do mundo) e te enviei.
    Fiquei pensando "até que é bonitinha a história da chinesa" e resolvi reler o e-mail que você me enviou. No começo, na sua apresentação, compreedi: "A beleza e a excepcionalidade da psicopatologia da vida co tidiana". Esse poderia ser o título, mas imagino que sua intenção era surpreender e, se foi essa a intenção, conseguiu. Belo texto: a temática não é era a loucura típica do cotidiano, mas a loucura extra-cotidiana traduzida em atos raros de amor. O Sabato também me surpreendeu - eu tinha a impressão de que ele só retratava o drama da existência humana. Confesso pra você que fiquei encabulado, principalmente quando recebi seu e-mail confirmando a publicação do fragmento no blog. Não sabia o que te responder. Repito pra você: se não fosse a belíssima história da chinesa, provavelmente não compreenderia a história da mulher que tomou o trem de assalto em busca de seu amor.

    Abraço.

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  14. Grande Luciano!

    Bom, em primeiro lugar, vamos a alguns elogios :-) Você compreendeu completamente os pontos, Luciano. E não me venha com modéstia - se fosse outra pessoa, diria se tratar de falsa modéstia, mas você é um cara muito bom caráter e sincero pra agir assim. Eu me lembro de uma aula da Leda Paulani, Luciano, em que você compreendeu perfeitamente a difícil lógica do capital.

    Creio que já te disse isso, velho, mas não custa repetir: vá atrás do mestrado. Você tem um baita talento reflexivo, Luciano, não o deixe disperso. Você escreve bem, velho, tem reflexões claras e propícias, sabe resgatar do cotidiano os fragmentos particulares que sondam a estrutura universal (para nós, vale dizer, social). Não gostaria que soasse paternalista essa minha reiteração, mas, bom, minha intenção é mais importante: desenvolva o seu talento, você pode trazer uma ótima contribuição com idéias, Luciano. E você sabe que também sou uma pessoa bastante direta. Não diria isso se não pensasse assim, claro.

    Luciano, velho, não se trata de críticas, mas de vestir o paletó do advogado do diabo. Podemos estar no mesmo barco pelo ímpeto de transformação, mas não acho que o voluntarismo, como já lhe disse, contribua efetivamente para o pensamento e para a criação artística - se já o fez alguma vez, e o caso de Bertold Brecht é bem significativo, não creio que o atual momento histórico seja correlato. Tudo isso pode mudar, é bem verdade, mas, por ora, não vejo assim.

    Antes de abrir uma chave referencial da "Psicopatologia...", quero dizer que muito do conteúdo desse nosso diálogo se refere a pontos do meu novo livro: "O Evangelho segundo Talião". Digo isso porque será um prazer entregá-lo a você dentro em breve, Luciano. Um escritor via de regra escreve textos em camadas. Esse lance do leitor ideal sempre se aproxima de projeções sobre as quais o Sr. Narciso tem muito a dizer :-) Mas a tua sensibilidade e agudeza te farão mergulhar. Quem dera houvesse leitores e argüidores e debatedores em abundância como você, velho! A arte e o pensamento não estariam tão ilhados.

    Não costumo - e não gosto de - fornecer chaves para leituras. Gosto, sim, de debater meus escritos, mas sempre a partir da leitura que me vem. Como você vem fazendo isso há muito tempo, acho mais do que justo te passar uma referência que, talvez, te tenha escapado. É bem provável que a psicopatologia te faça ainda mais sentido: o Sr. Freud já disse muitas coisas sobre a psicopatologia da vida cotidiana, velho, e o belo ilhado e preterido, a meu ver, teve uma síntese em um tal de "Palácio de Versalhes", no ano passado. Bom, é o que posso dizer em agradecimento por esse belo debate.

    Dia 10 de março vou começar a ministrar um curso sobre Dostoiévski e Bergman. Claro que você já está convidado. Vou postar isso tudo no meu blog essa semana, daí te mando um email direto. Ah, tá mais do que na hora de eu te entregar as fotos do Rio de Janeiro. Como o escaner tá zoado, poderíamos nos encontrar, daí você escolhe aquelas de que mais gostar, velho.

    Grande abraço,

    Flávio Ricardo

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