Antes de içar a lâmina, o algoz suplica ao condenado: "Você me perdoa?"

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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Fiódor Dostoiévski no Fantasticon 2011

Meus amigos,

Gostaria de convidar a todos para o


Fantasticon 2011 – V Simpósio de Literatura Fantástica
(Site oficial:
http://fantasticon.com.br/)


Silvio Alexandre, editor do Fantasticon, nos fala sobre o simpósio:

“A idéia do Fantasticon é reunir pessoas interessadas em Literatura Fantástica (ficção científica, fantasia e horror) para que elas possam se encontrar, debater idéias, trocar informações, levantar tendências e se divertir. A proposta é incentivar e enriquecer o estudo e o debate sobre o Fantástico no Brasil. Para isso, contaremos com palestras, mesas-redondas, oficinas, mostra de filmes, exposições, lançamentos, sessões de autógrafos e muita confraternização!”

O Fantasticon é organizador pelo editor Silvio Alexandre, em uma realização da Biblioteca Pública Viriato Corrêa, do Sistema Municipal de Bibliotecas e da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Nesta edição, conta com o apoio da Fly Cow Produções Culturais, Cálamo Editorial, ACAF (Associação Cultural de Artes Fantásticas), GELF (Grupo de Estudos de Literatura Fantástica), Moonshadows Livraria, Naiade Viagens e Revista Fantástica.

Equipe Fantasticon: Bruno Cobbi; Claudia Fusco; Juliana Medeiros; Nathalia Feerique; Silvio Alexandre; Tiago Castro; Willian Ricciardi.

A programação completa do Fantasticon 2011 pode ser conferida no site oficial do simpósio a partir do seguinte link:
http://fantasticon.com.br/?page_id=381

O simpósio ocorrerá nos dias 12 (sexta), 13 (sábado) e 14 (domingo) de agosto, na Biblioteca Viriato Corrêa – Rua Sena Madureira, 298 - Vila Clementino. Telefone: 5573-4017. A Biblioteca Viriato Corrêa fica próxima ao metrô Vila Mariana. Link para a localização:
http://fantasticon.com.br/?page_id=571

No domingo, dia 14 de agosto, às 14h30, gostaria de convidar a todos vocês para encontrarmos


Fiódor Dostoiévski no Fantasticon 2011
http://fantasticon.com.br/?p=644


DOMINGO – dia 14 de agosto
14h30 às 15h30



Palestra: O FANTÁSTICO EM DOSTOIÉVSKI


As narrativas fantásticas de Dostoiévski, considerado um dos maiores autores de todos os tempos, serão apresentadas pelo professor Flávio Ricardo Vassoler, que fará uma relação entre os textos do escritor russo e o ensaio A Filosofia da Composição, de Edgar Allan Poe. O escritor russo foi desenvolvendo o fantástico ao longo de sua obra de modo a transformá-lo em elemento central, denunciando uma sociedade supostamente assentada em bases racionais.

Flávio Ricardo Vassoler é Mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (USP). Ministra cursos sobre literatura, cinema e história em instituições como a Casa das Rosas, o MuBE – Museu Brasileiro da Escultura, e em festivais como o Cinefantasy – Festival Internacional de Cinema Fantástico.

Veja também em: http://fantasticon.com.br/?page_id=381

Conto com a presença de todos vocês!

Flávio Ricardo Vassoler

2 comentários:

  1. Dorival Rodrigues Teixeirasábado, 20 agosto, 2011

    Flávio

    Gostei de conhecê-lo.
    Normalmente o pessoal ligado à análise literária é bem teórico, fora da realidade.
    E você faz uma ponte com a sociedade e questões sociais muito interessante.
    Dá outro sentido à literatura.

    Só li "Recordação da Casa dos Mortos", pela antiga Coleção Saraiva quando era moleque.
    Não entendi quase nada.
    E num curso recente na Viriato, o trecho "O Grande Inquisidor".
    A colocação dele sobre o catolicismo é impressionante. E faz com classe.

    Abraços
    Dorival

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  2. Olá, Dorival!

    Então, essa vinculação entre arte e sociedade é bem própria aos interesses que eu sempre nutri pela política e pela sociologia, de um lado, e pela filosofia e pela estética, de outro. Na verdade, meu interesse foi sempre arremessar um polo contra o outro para perceber como a arte dá tratamento aos temas que sempre obsedaram as pessoas ao longo da História.

    Pouquíssimos autores têm essa habilidade tão aguçada quanto Dostoiévski. Minhas primeiras leituras do escritor russo sentem uma pujança filosófica em termos da tragédia das personagens. Uma filosofia verdadeiramente encarnada. Precisei percorrer todo um percurso para descobrir como Dostoiévski dera tratamento artístico às idéias, de modo que elas encarnassem nas personagens - e reciprocamente: como Dostoiévski dera tratamento ideológico às personagens, de modo que elas encarnassem nas idéias.

    Os textos de Dostoiévski que você leu são primorosos. "Recordações da Casa dos Mortos" pode ser considerado um cadinho para a percepção dostoievskiana pós-Sibéria, período durante o qual o escritor pôde maturar suas concepções. Fico imaginando justamente que essa experiência brutal - experiência que teria dilacerado a maioria das pessoas que a ela fosse submetida - acabou aguçando a linguagem artística de Dostoiévski: ele não pôde escrever durante vários anos, então as narrativas iam sendo gestadas ao longo da vivência da masmorra. Dostoiévski exercia o atributo da memória, ele narrava as estórias pra si mesmo, ia contrastando diferentes modos de gestação literária, conversava com os seus narradores - com quem mais ele poderia conversar naquele terror? Já que ele sobreviveu aos trabalhos forçados e não foi por eles aniquilado, poderíamos entrever esse período como uma experiência fundamental para os grandes romances que viriam. Se pensarmos assim, Dorival, a escatologia de Dostoiévski não nos é tão estranha: o escritor não apenas leu ou imaginou o limite dos homens, mas conviveu com ele em vários momentos, como se o inesperado lhe pudesse fazer companhia daqui a pouco. Lembro uma passagem do "Recordações..." que é paradigmática nesse sentido: um assassino rematado - infanticida sobretudo - se encharcava de kvass - a cerveja preta russa -, incomodava todos os demais, batia a cabeça contra a parede, para pouco depois dormir tranqüilamente. Acordava como se nada houvesse acontecido, chegava a rezar pela manhã. (Conforme eu sugeri na palestra, pensemos os votantes do Coronel Ubiratan Guimarães e seu cotidiano para tentarmos entrever para onde se dirige a violência que a civilização e seu cotidiano procuram canalizar.)

    Quanto ao "Grande Inquisidor", Dorival, aí estou em terreno suspeitíssimo. Os capítulos "A Revolta" e "O Grande Inquisidor", presentes n'"Os Irmãos Karamázov" são para mim, até hoje, as melhores páginas que já pude ler. Uma síntese histórico-literária do humano. Uma releitura de gêneros jornalísticos, folhetinescos com o propósito de buscar na singularidade dos eventos a regularidade tétrica, trágica e niilista da história humana. A elevação máxima da teologia para logo em seguida desancá-la. A compaixão de Aliócha que logo terá fim em si mesma pelo beijo que não pode sintetizar nada para além de um instante. Belíssimo!

    Estejamos sempre em contato, Dorival.

    Um abraço,

    Flávio Ricardo

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